[Resenha] Joyland – Stephen King

AQUI, NÓS VENDEMOS DIVERSÃO!

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Sinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.

Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria.

O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

Terror / Literatura Estrangeira / Suspense e Mistério

Resenha: Acabei de ler Joyland. Tipo, agora, nesse exato momento! Por isso estou fazendo essa resenha AGORA!

Meu “primeiro King” foi O ILUMINADO, quando eu tinha, mais ou menos, 17 anos.  Ou seja, algumas décadas atrás, e eu não havia me dado conta de que era tão, tão bom. Anos depois quis ler novamente, mas recordei que havia emprestado e não lembrava para quem. Nunca mais o vi. Por isso nunca mais emprestei livro algum nem tenho planos de emprestar. Mas voltando ao livro, hoje me arrependo de não ter aproveitado mais a escrita de King.

Joyland começa com Devin, nosso personagem principal, dissertando sobre a vida e o amor. O primeiro amor. Wendy Keegan. Cada vez que Dev (sim, Dev) fala sobre ela, temos vontade de matá-la por ter lhe partido o coração. Isso não é Spoiler, pois logo sabemos que Wendy, embora seja uma força poderosa na memória do personagem, não passa de apenas isso. Uma memória.

“Quando se trata do Passado, todos escrevem ficção.”

Devin é um universitário otimista que faz muitos planos. Após saber que sua então namorada iria trabalhar em Boston, ele decide arrumar um emprego de verão. Sem saber o que faria, a sorte sorri pra ele quando alguém deixa um exemplar do Carolina Living (a história se passa em Carolina do Norte) no refeitório onde ele trabalha e dá  de cara com um anúncio com o título:

“TRABALHE NO PARAÍSO”

Obviamente que Dev segue para Heaven’s Bay desejando trabalhar no Parque Joyland.

Sua entrevista é com Freddy Dean, um cara animado com quem simpatizamos de cara. Ele explica o porque gosta de trabalhar em Joyland e diz que, caso ele aceite o emprego, irá gostar também. E o manda procurar Lane Hardy para um passeio na roda gigante, a Carolina Spin. Lane e Dev se dão muito bem e assim que o passeio termina, ele já está decidido a aceitar o emprego. Ao decorrer da história, Lane se torna um grande amigo de Dev e ambos tem uma cumplicidade muito bem construída pelo autor. Sem cllichês, sem sentimentalismo. Amizade verdadeira, mesmo.

Ainda antes de aceitar o emprego, andando pelo parque ele conhece a Madame Fortuna, na verdade Rozzie Gold. A vidente do parque se demonstra misteriosa e charlatã ao mesmo tempo, mas diz coisas que mexem com Dev. Ela diz que no futuro de Dev há uma garotinha e um garotinho. Que a garotinha usa um chapéu vermelho e carrega uma boneca. E que uma das duas crianças tem sexto sentido. Também insinua que ele tem uma grande tristeza e outras coisas que não posso contar. Faz parte da magia de ler esse livro.

É também nessa conversa que ele fica sabendo sobre o “fantasma que assombra a Horror House”, e que esse fantasma é o espírito de uma mulher que foi assassinada dentro do brinquedo. No início achei que esse seria o foco central de Joyland. Mas esqueci que é um livro de Stephen King, e que o sobrenatural tem seu papel assim como as relações humanas.

Rozzie também indica à Dev a pousada da Sra. Shoplaw; e lá, após conhecer a pousada, Emmalina Shoplaw conta tudo sobre o crime, sobre o Assassinato do Trem Fantasma.

A partir daí começa uma parte do livro que nos enche de alegria e luz: King descreve de forma preciosa o verão em Joyland e quão divertido é tudo naquele lugar, por mais que nossos personagens estejam ralando feito cães, literalmente. Conhecemos dois amigos de Dev que ficam pra sempre em nossa memória: a linda Erin e seu debochado Tom. Ambos hospedados na pousada da Sra. Shoplaw e inseparáveis.

“Por um momento, pensei que ela fosse me beijar de novo, mas não beijou. Apenas saiu do carro e atravessou a rua até os táxis, com a saia esvoaçante.”

Tudo no livro é rico: a linguagem própria usada dentro de Joyland por seus funcionários, os passeios nos brinquedos, a alegria das crianças quando Dev se veste como Howie, o cão mascote do parque e quando as “profecias” de Rozzie começam a acontecer. TUDO É MÁGICO! E TRISTE!

Prepare seu coração, pois King nos enche de melancolia e tristeza em vários momentos. Mas todos são deliciosos de serem lidos e vivenciados.

Se você ainda não leu Joyland ou quer começar a ler algo de Stephen King, arrisco indicar esse livro por sua história simples, porém tocante e calorosa. Sentir tudo o que o autor descreve, sentir o calor do verão e o frio do outono, a tristeza da partida de uns e a excitação de um novo romance, ou de uma transa…tudo o que ele escreve fica na memória e se torna físico. Você praticamente consegue tocar. Se faça esse favor e descubra esse Parque cheio de aventuras e mistérios! Porque esse livro vende DIVERSÃO!

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Título: Joyland

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Ano: 2015