[Resenha] 03 Contos de H. P. Lovecraft – Editora Martin Claret

Mais 03 Contos de Lovecraft

Hoje trago mais resenhas desse incrível livro lançado pela Editora Martin Claret reunindo alguns contos maravilhosos do grande autor, ícone de vários autores consagrados, contemporâneos.

Aliás, essa é uma das coisas mais legais ao ler Lovecraft; Você consegue perceber a influência dele em muitos autores contemporâneos de Terror Psicológico e Fantasia Fantástica.

Lovecraft é incrivelmente detalhista, mesmo quando lemos um pequeno conto, os detalhes são abundantes.

Escolhi para hoje 03 contos. Como sempre, não posso falar muito deles porque, por serem contos, se eu soltar um pouquinho a mais já estrago a surpresa do Leitor. E de forma alguma desejo estregar a leitura de vocês. O bom de Lovecraft é justamente isso…as surpresos durante a leitura.

Chega de papo, vamos à resenha!

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Além das Muralhas do Sono

Lovecraft começa esse conto divagando sobre o tempo e espaço. O  material e o imaterial. E só entendemos o motivo dessa divagação quando o conto chega ao seu fim e tudo faz sentido.

Ele fala sobre Joe Slater, um homem da chamada “escória branca” do sul, onde não havia moral ou leis. O caso de Joe é que ele, ao acordar, tinha ímpetos de ira e assustava muito as pessoas, falando sobre coisas que ninguém entendia. O fato de estar falando já era um milagre, pois vivia calado. Depois de uma hora, mais ou menos, ele voltava ao normal.

Mas, após um incidente onde ele  matou dois homens de forma absurdamente irreal, fora capturado e levado à um sanatório, onde o narrador da história trabalha.

Depois de muito tentar analisar o homem, que continuava a ter esses ataques logo após seu sono, ele percebeu que tudo nele mudava quando acontecia: seu linguajar mudava, sua capacidade mental parecia ser imensamente maior à de Slater. Mas essa “consciência” onírica espacial parecia ter em comum com Slater apenas a sua força. Sim, o narrador deduz que Slater vive entre duas consciências: uma em seu corpo terreno e outra em algum lugar onde ele não é uma escória branca, mas alguém altivo e buscando vingança, já que ele repetidamente fala em procurar e matar “a coisa”.

Isso é tudo o que posso falar sobre, mas ao ler esse conto percebi que Matrix e Sense8 bebem da fonte de Lovecraft em alguns momentos.

Esse conto termina de forma melancólica. LEIA!

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A Nau Branca

Nesse conto, Lovecraft nos leva a bordo de uma Nau que percorre mares misteriosos.

O narrador da história, Basil Elton, é zelador de um farol como foram seu pai e seu avô.

Ele fala das belezas do mar, de como ele consegue avistar o trajeto das Naus que por ali passam, mesmo sem que nenhuma esteja passando naquele momento. Esse conto é incrivelmente poético e Lovecraft nos leva à uma verdadeira viagem.

Ele diz que sempre que a lua está cheia, a Nau Branca passa pelo farol e um homem barbudo acena, convidando-o a embarcar. Mesmo que os mares estejam raivosos ou calmos, a Nau passa sem problemas, serena. E um dia ele aceita o convite e embarca.

Conforme ele narra, um pássaro sempre voa a frente da Nau guiando o caminho e levando à terras que Basil sequer sabia da existência. A fantasia criada por Lovecraft nesse conto nos encanta e termina com uma lição pertinente aos dias de hoje, sobre ambição e ganância.

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A Maldição Que Atingiu Sarnath

Nesse conto, reconhecemos de cara a assinatura do autor. Elementos de uma mitologia criada por ele, usada para dar ao leitor uma ideia de mundo escondido dentro do nosso mundo. Lovecraft usa a Ficção Científica de forma magistral e esse conto é a prova disso.

Diz –se que na Terra de Mnar, existia há tempos, um rio que não é alimentado por nenhum outro e do qual nenhum rio flui. E sobre as margens desse rio fica a poderosa Sarnath.

Mas antes de Sarnath ali havia outra cidade chamada Ib, feita de pedras cinzentas e com moradores nada agradáveis de se olhar. Eram disformes e verdes, assim como o lago e a névoa que pairava sobre ele. Sabe-se também que adoravam um ídolo esculpido em pedra verde-mar à semelhança de Bokrug, o grande sáurio aquático.

Próximo dali, os habitantes de Sarnath fincaram suas primeiras pedras e o primeiro contato com os seres de Ib não fora de todo agradável. E conforme crescia a cidade de Sarnath, crescia também a aversão aos seres de Ib, principalmente após descobrirem que seus corpos eram moles flexíveis feito geleia.

Sendo assim, todos os homens de toda Sarnath e regiões próximas decidiram atacar Ib e seus habitantes.  Jogaram os corpos no lago e destruíram também todos os seus monólitos.  Ficou apenas a escultura em pedra verde-mar de Bokrug. Os guerreiros de Sarnath o levaram como prêmio por terem ganhado a batalha.

Mas…na noite seguinte à batalha, luzes estranhas pairaram sobre o lago e o sumo sacerdote de Sarnath fora assassinado, mas não sem deixar escrito, de forma trêmula e insegura a palavra MALDIÇÃO.

O resto do conto fica impossível de entregar, mas o desenrolar do mesmo é incrível!

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Caso você tenha “medo” de ler algo de Lovecraft ou preguiça por ser um calhamaço, esqueça isso. A leitura é harmoniosa assim como a escrita do autor. E os gêneros do autor variam de conto para conto. Nem sempre ele trata do sobrenatural ou de criaturas “extraterrenas”. Lovecraft tem o dom de escrever de forma quase poética. Se joga nos braços do cara que você vai estar em ÓTIMAS mãos!