[Resenha] A Cor que Veio do Espaço – H. P. Lovecraft – Editora Martin Claret

A Cor  que Veio do Espaço

Resenha

Continuando com as resenhas dos contos de H. P. Lovecrat, hoje resenho um dos clássicos do autor. O enigmático “A cor que Veio do Espaço”.

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Nesse conto, Lovecraft demonstra mais uma vez o poder de sua narrativa tão simples e tão poderosa. Ao dizer “simples” falo de sua acessibilidade, sem ser simplório. Lovecraft conta suas histórias sem apelar para clichês. E em “A Cor que veio do Espaço” entendemos a genialidade do autor que nos faz ficar curiosos sobre algo tão abstrato.

A história começa quando um homem está pesquisando uma cidade ao Norte de Arkham, essa, uma cidade inventada por Lovecraft e revisitada em alguns de seus contos. O homem está verificando a região pois parte dela vai se tornar uma represa. É quando ele toma conhecimento de uma história que lhe arrepia a alma.

Um meteorito caiu, anos atrás, bem em um dos locais que estarão em breve sob a água da represa perto da casa de uma família composta por 05 pessoas. Os Gardners. O pai logo chamou Ammi, uma das únicas pessoas ainda vivas que pode atestar a história, mas hoje considerado um “senhor de mente excêntrica”. Ele conta que no dia após a caída do meteorito, vários cientistas foram verificar a veracidade dos fatos e se depararam com o objeto espacial perto da casa da família. Os cientistas pegaram amostras depois que conseguiram resfriar o objeto, que parecia não diminuir de temperatura.

Também notaram que elas eram menos sólidas do que pareciam e que ao cortar, perceberam uma cor diferente nela. Uma cor nunca antes vista e sem descrição possível. Uma cor que não causa uma boa impressão. As amostras foram levadas ao Laboratório e as análises começaram. Porém não puderam ser concluídas pois no dia seguinte ao chegarem no local, as mesmas haviam sumido.

Toda a fazenda refulgia com a horrenda mistura de cores desconhecidas; as árvores, as construções, e até mesmo a grama e as ervas que pouco tempo atrás não haviam sofrido a mutação para o cinza quebradiço e letal. todos os galhos se erguiam em direção ao céu,colmados por línguas de um fogo maldito, e rastros luminosos daquelas chamas monstruosas arrastavam-se em direção às cumeeiras da casa, do celeiro e dos galpões. Era uma cena digna das visões de Fuseli, e por todo o cenário reinava aquele caos de luminescência amorfa, aquele arco-íris extraterreno e adimensional de veneno críptico emanado do poço – pulsando, palpitando, escoando, avançando, cintilando, escorrendo e borbulhando na malignidade suprema de um cromatismo sideral irreconhecível.

Voltaram à fazenda para recolher mais amostras e perceberam que o meteorito havia ficado menor. Novamente as amostras sumiram no dia seguinte, dentro do laboratório. E então começaram os “eventos” estranhos nas terras dos Gardners:

As flores começaram a nascer de forma distorcida e nada belas, com a mesma cor sem descrição que havia dentro do meteorito. E cresceram muito, de tamanhos diversos, formando uma paisagem deprimente e sombria. A colheita da família fora incrivelmente farta, mas tudo o que fora plantado perto de onde o meteorito havia caído, tinha “gosto de amargor secreto e nauseante”.

E logo depois o capim, antes verde, agora tinha a mesma cor que as flores. E então um dos filhos de Nahum viu. Algo se mexendo furtivamente no escuro. Algo que era luminoso e causava temor. E os cavalos reagiam de forma espantosa.

Insetos começaram a aparecer. Insetos disformes, estranhos, como a cor. E então a mãe adoeceu. Enlouqueceu, falando palavras desconexas, mas seu marido decidiu que só tomaria uma atitude caso ela se tornasse uma ameaça a si própria ou aos filhos. E quando seu filho começou ter medo da mãe, ela fora trancafiada no sótão, já sem noção da realidade e agressiva. Todos evitavam o local e se não fosse por Ammi, o único amigo que anda os visitava, estariam isolados.

Pouco depois outro filho adoeceu, e  outro sumiu e logo depois outro.

Lovecraft nos conduz de forma brilhante à um cenário de desespero e dor e o desfecho da história é sensacional. A cor que veio do Espaço deve virar filme em breve e, caso consigam criar a mesma atmosfera perturbadora do conto, será um filme inesquecível!

Semana que vem tem mais resenha do livro Grandes Contos de H. P. Lovecraft da Editora Martin Claret.

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Nota: Dependendo da Edição, esse conto tem 03 nomes comumente usado: “A cor que veio do espaço”, “A cor que caiu do espaço” e “A cor que caiu do céu”. Todos se referem ao mesmo conto.