[Resenha] The Hate U Give – O Ódio Que Você Semeia – Angie Thomas

 

 

 

Então, hoje nós vamos falar sobre The Hate U Give de Angie Thomas, que será lançado em Julho pela Galera Record sob o título O Ódio Que Você Semeia. Abaixo a Sinopse.

SINOPSE: Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos.

Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

 

RESENHA: O livro é incrível e conta a história de uma garota, a Starr, que vive em dois mundos: a vizinhança pobre e negra chamada Garden Heights onde cresceu e mora e a  escola Williamson onde ela estuda e que tem  sua maioria (na verdade quase totalidade) de pessoas brancas. Ela aprendeu a equilibrar essas duas personalidades: a Starr “das quebradas” e a Starr que não fala gírias, que não tem atitude gueto, etc.

Então um Policial Branco atira e mata Khalil, amigo de Starr, também negro, e a única testemunha é a menina.

E daí em diante você entra em uma história incrivelmente bem escrita e tocante. A Angie não nos poupou de nenhum detalhe de ambas realidades que vivem dentro da Starr, realidades que precisam coexistir!

O livro é inspirado no movimento #BlackLivesMatter que teve seu início em 2013.

Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) é um movimento ativista internacional, com origem na comunidade Afro-americana, que campanha contra a violência direcionada as pessoas negras. BLM regularmente organiza protestos em torno da morte de negros mortos por policiais, e questões mais amplas de discriminação racial, brutalidade policial, e a desigualdade racial no sistema de justiça criminal dos Estados Unidos.  *(Wikipedia)

 

 

Ou seja, o livro fala sobre coisas que lemos e assistimos todos os dias nos jornais.

Mas a Angie nos dá uma voz e um caminho para que possamos tentar mudar isso através dessa personagem cheia de dúvidas e medos, a Starr. A história é narrada por ela em primeira pessoa e é absolutamente adorável, engraçada e forte. Muito forte. Starr brilha o livro inteiro e nos faz ponte com outros personagens também incríveis. Tenha essa noção: são 420 páginas! Mas eu li em duas noites.

Os personagens: A mãe de Starr, a Lisa, é uma mulher guerreira que trabalha muito para educar os dois filhos + o enteado. O Pai de Starr, um ex condenado que tem uma loja na vizinhança pobre onde moram, tenta ensinar aos 3 filhos que eles podem viver da melhor maneira possível. É nele a maior mensagem de superação do livro.

Outros personagens incríveis são o Seven, meio irrmão da Starr e super protetor. O Tio da Starr, o Carlos, que mora em uma boa vizinhança e ajudou a criar a Starr enquanto o pai dela estava preso. Ele é policial e se coloca em um dilema em algumas partes do livro. E é muito interessante e sincero o desenrolar disso. E também o Chris, o namorado Branco da Starr, personagem que me surpreendeu.

 

 

É um livro importante que nos coloca contra a parede e nos faz questionar: somos preconceituosos? Quando estamos em uma rua e vemos que um negro está vindo em nossa direção, nós nos alarmamos? Nós fazemos piadas racistas? Nós podemos usar nossa desculpa de “raça mista” para usar nomes como tição e negão sem ter que arcar com as consequências?

 

 

Por exemplo, no livro, a mãe da Starr a ensina, desde jovem, como ela deve se comportar quando for parada pela polícia. Eu nunca precisei me preocupar com isso. A não ser uma vez quando a polícia me parou. Mas eles não me perguntaram nada, eles pediram para ver a mochila do meu então namorado. Ele era moreno, estava de mochila e era 03h da manhã. Só não deu merda porque minha mãe estava me esperando e foi ao nosso encontro. Nessas horas que nos damos conta de que sim, somos privilegiados por sermos brancos. Mas isso está certo? Isso é motivo para me “sentir melhor” porque não levanto suspeitas?! Sim, é nesse mundo que nós vivemos!

Impossível não se apaixonar por Starr e Garden Heights, a vizinhança que acaba se tornando um personagem, também.

Na verdade eu estou bastante curioso sobre a tradução do livro, pois as partes em que ele se passa em Garden Heights tem muita gíria de guetto. Até o nome do livro é uma sigla. E no livro vemos a desmistificação dessa gíria.

The Hate U Give = THUG (Tradução marginal).

Em dado momento do livro, um personagem fala sobre algo que o cantor Tupac Shakur disse:

The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody: T-H-U-G L-I-F-E. Vida de marginal. Mas tradução é:

O ódio que você “dá” aos mais jovens fode todo mundo. De uma maneira simples, o Tupac  estava dizendo o que vemos acontecer: A sociedade chuta e daí é mordida. Simplificando ainda mais.

 

Tupac Shakur

Se faça um favor e LEIA esse livro! Ele é incrível!

Um Beijo e até mais!