#Ownvoices – Conhece? Então leia e passe a conhecer já!!!

#Ownvoices

Eu tenho lido e escutado muitas pessoas falando sobre #ownvoices literature, traduzindo: Literatura “voz-própria” ou “sua-própria-voz”, que na prática é dar a voz a autores e temas marginalizados. Por exemplo: quando um autor negro escreve sobre personagens negros, ou quando um autor que sofre de algum transtorno psicológico, tal como ansiedade, agorafobia, TDHA, etc., escreve um livro e retrata em algum personagem seu problema.

Ou seja, é quando escrevemos sobre o que sabemos, sobre o que somos, sem necessariamente ser Não Ficção. Esse movimento esta tendo cada vez mais aceitação entra as pessoas que se identificam diretamente com os temas abordados e também pelos leitores que, mesmo sem fazer parte do grupo, etnia ou gênero abordado, se identifica e abraça a causa.

Mas  eu li coisas um tanto preocupantes: algumas pessoas batem o pé dizendo que apenas um gay poderia escrever sobre o universo LGBT sem usar estereótipos. Ou seja, podemos estar fechando portas para muitos autores que tem imenso talento e conhecimento para escrever sobre qualquer assunto, sem que seja necessariamente parte daquela cultura, classe ou gênero.

 Um exemplo é Valter Hugo Mãe. O cara nasceu em Angola, foi criado em Portugal e em um de seus livros, A Desumanização, ele retrata a vida de várias famílias na Islândia. É provavelmente um dos melhores livros já escritos por um ser humano e, até onde sei, o Valter fez uma extensa pesquisa para escrever com propriedade sobre um local tão único quanto a Islândia. Resultado de muito talento e muito trabalho de pesquisa e observação, algo que todo artista, seja ela de qualquer expressão de arte for, precisa fazer.

Agora uma opinião pessoal: Não acho que isso deve virar, daqui a pouco, um Clube fechado ou algo como a “famigerada apropriação cultural”. Não acho que devemos ter apenas gays escrevendo sobre literatura gay, lésbicas sobre literatura lésbica, gordos sobre problemas de auto estima e gordofobia. A literatura, assim como outras expressões artísticas, são livres e nunca devem ser categorizadas ou discriminadas. Acredito que muitas pessoas são extremamente capazes  de escrever sobre um certo gênero ou raça sem pertencer a mesma, desde que não haja um o bom senso de não ofender ninguém.

A comédia, durante anos, levantou debates usando o grotesco e o humor para causar uma crítica social. Hoje em dia os humoristas são absurdamente cuidadosos para não ofender as pessoas. E eu garanto a quem se sentiu ofendido: provavelmente, 99% dos humoristas e comediantes não queriam ofender ninguém. Eles estavam usando a comédia para levar ao conhecimento geral algo que as pessoas só falavam entre iguais, ou nem falavam, mas pensavam. O humor tinha esse poder de trazer uma reflexão através do riso.

Nos dias de hoje, esse humor mais “agressivo” deu lugar ao politicamente correto onde tudo é proibido e nada mais pode ser dito. Tenho medo SIM que, com o movimento #ownvoices, isso passe a acontecer.

Acho o movimento em si maravilhoso. Mas ele não pode podar mentes pensantes de criar arte.

 

Vou listar abaixo alguns livros que entram na categoria #ownvoices e que são maravilhosos!

LGBT:

We Are The Ants – Shaun David Huntchinson

History is all you left me – Adam Silvera

Girl Mans Up – M-E Girard

Ramona Blue – Julie Murphy

 

Escritores negros:

The Hate U Give – Angie Thomas

Olhos D’Água – Conceição Evaristo

American Street – Ibi Zoboi

O Sol Também É Uma Estrela – Nicola Yoon

Dear Martin – Nic Stone

 

Escritores de origem latina:

More Happy Than Not – Adam Silvera

Labyrinth Lost – Zoraida Cordova

Yaqui Delgado quer quebrar a sua cara – Meg Medina

Shadowshaper – Daniel Jose Older

 

Escritores Mulçumanos:

The Forbidden Wish – Jessica Khoury

Estilhaça-me – Tarereh Mafi

Persepolis – Marjane Satrapi

Written In the Stars – Aisha Saeed

 

Diversidade de tipos corporais:

Dumplin’ – Julie Murphy

Seraphina – Rachel Hartman

 

Deficiência ( Mental ou Física):

It’s Kind Of A Funny Story – Ned Vizzini

The Girl At Midnight – Melissa Grey

Under Rose Tainted Skies – Louise Gornall

10 Things i Can See From Here – Carrie Mac

 

Autores Trangêneros:

A Boy Called Cin – Ceceil Wilde

I’ve Got A Time Bomb – Sybil Lamb

George – Alex Gino

If I Was Your Girl – Meredith Russo

 

Bom, é claro que existem muito mais livros e autores do que esses, mas esses fazem parte da minha lista de favoritos!

E você? O que você acha dessa história?

Um beijo e a até mais!