[Resenha] A Mulher Que Escreveu A Bíblia – Moacyr Scliar – Companhia das Letras

A Mulher Que Escreveu A Bíblia

SINOPSE: A mulher que escreveu a Bíblia é um pequeno romance em que se fundem as três maiores qualidades do gaúcho Moacyr Scliar: a imaginação, o humor e a fluência narrativa. Ajudada por um ex-historiador que se converteu em “terapeuta de vidas passadas”, uma mulher de hoje descobre que no século X antes de Cristo foi uma das setecentas esposas do rei Salomão – a mais feia de todas, mas a única capaz de ler e escrever. Encantado com essa habilidade inusitada, o soberano a encarrega de escrever a história da humanidade – e, em particular, a do povo judeu -, tarefa a que uma junta de escribas se dedica há anos sem sucesso. Com uma linguagem que transita entre a elevada dicção bíblica e o mais baixo calão, a anônima redatora conta sua trajetória, desde o tempo em que não passava de uma personagem anônima, filha de um chefe tribal obscuro. Moacyr Scliar recria o cotidiano da corte de Salomão e oferece novas versões de célebres episódios bíblicos. Em sua narrativa, repleta de malícia e irreverência, a sátira e a aventura são matizadas pela profunda simpatia do autor pelos excluídos de todas as épocas e lugares.

Prêmio Jabuti 2000 de Melhor Romance

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RESENHA: A mulher que escreveu a bíblia fala sobre um homem que, inspirado por seu pai comunista, resolve cursar história. Mas, depois de formado, percebe que não era o que queria e após um incidente na escola onde dava aulas resolve se tornar “terapeuta de vidas passadas”.

 E se torna muito bem sucedido. Em pouco tempo já tem entre seus pacientes, artistas, políticos e pessoas da alta sociedade. Até que uma mulher, filha de um fazendeiro que veio morar na cidade grande após uma desilusão amorosa, o procura para entender melhor seus dilemas.

Em pouco tempo ambos começam a se interessar um pelo outro sem nunca chegar as vias de fato. Ela acaba indo embora com o homem que sempre amou (a citada “desilusão amorosa”), o deixando com uma carta e um livro, fruto de suas terapias. No livro ela conta a história de uma mulher absolutamente desprovida de beleza que mora perto de Jerusalém durante o reinado do Rei Salomão.

Entre tentar seduzir um pastor de cabras e se masturbar com uma pedra, a vida da coitada é bem chata. Acaba sendo entregue como prêmio ao Rei, que a renega por ser muito feia, mas, ao descobrir que era letrada a pede um favor: que reescreva o livro mais importante até então, que reescrevesse a Bíblia. E assim ela o faz, contando passagens bíblicas do ponto de vista de uma mulher, virgem, feia, muito esperta  e apaixonado pelo Rei Salomão.

O livro passa como um filme, uma comédia inteligente e sagaciosa, cheia de segundas intenções e muita ironia. Esse foi meu primeiro Moacyr Scliar e que venham muitos outros!

Com um final surpreendente, tanto quanto o restante do livro, A Mulher Que Escreveu  A Bíblia é um livro imperdível, lançado pela Companhia das Letras que você não pode atrever não ler.

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Moacyr Scliar:

Nasceu em Porto Alegre, em 1937. Formado em medicina, trabalhou como médico especialista em saúde pública e professor universitário, ocupando a cadeira Medicina e Comunidade da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Seu primeiro livro, de 1962, é inspirado em suas experiências como estudante de medicina. Scliar é autor de mais de 70 livros, muitos destes publicados em diversos países, como Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal e Israel. Entre os inúmeros prêmios que conquistou, destacam-se o Prêmio Jabuti de Literatura (1988, 1993 e 2009), o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte (1989) e o Prêmio Casa de las Americas (1989). Foi colunista dos jornais Zero Hora e Folha de S.Paulo e colaborou em vários órgãos da imprensa no país e no exterior. Tem textos adaptados para cinema, teatro, tevê e rádio. Em 2003, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
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